Capas


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

As Coisas Não Caem Do Céu


Será que a gente se esquece ou nunca chegou a saber que esse mundo é nosso Quando a gente toma posse, arregaça as mangas e faz o que tem que fazer? 

Por que todo mundo reclama do que lê de manhã no jornal? 
Mesmo sem mexer um dedo se acha no direito de se achar acima, muito acima de tudo que é mal. 



Não imagina ter nada com isso alguém, mas não nós, tem que resolver. 
A gente já fez nossa parte xingando essa corja em frente à TV. 

Por que é que eu me encho de orgulho só porque um dia eu postei 
um link pra uma causa nobre pra ajudar os pobres, qualquer coisa assim 
que eu não li, mas eu compartilhei. Por que é que a gente se espanta com qualquer preconceito dos outros mas no nosso caso é sempre diferente a gente só quer defender a cultura, a moral e o bom gosto. 

Será que o mundo seria melhor se algum de nós pudesse decidir 
o que todos devem sonhar todo dia e qual o caminho pra ser feliz? 

Será que eu um dia acredito de tanto que escuto dizer 
que ser gentil e generoso importa muito pouco 
que eu não sou ninguém sem dinheiro, beleza ou poder? 

Será que ao invés do prazer de viver de sentir, de provar, sento pra assistir 
a vida emprestada das celebridades sozinho na sala antes de dormir? 

Por que é que a gente ainda espera? 
As coisas não caem do céu.
Esquece a esperança e entra na dança que as coisas não caem do céu 

Por que todo mundo reclama Do que lê de manhã no jornal? 

música de Leoni
http://www.kboing.com.br/leoni/1-1251206/

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Amigos

Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos de amigo. Há muitos tipos de amigos.

Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles.
O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe. Mostram o que é ter vida.
Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós.
Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.

Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz…

Há também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.

Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra.
O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas. 
Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações.

Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho.
Desejo a você, folha da minha árvore, Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade… Hoje e Sempre… simplesmente porque: “Cada pessoa que passa  em nossa  vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.  Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso”.

http://guilhermelima01.tumblr.com/

sábado, 19 de julho de 2014

Avelino Cusparada


Avelino era um desses típicos homens do interior de vida humilde. Alto e magro poderia facilmente receber o apelido de bambu ou caniço, mas devido ao estranho habito de mascar fumo e soltar o cuspe em qualquer lugar que estava era chamado de Avelino Cusparada.

Avelino cusparada tinha um amigo e compadre que morava há uns dois quilômetros de seu sitio e que ele visitava uma ou duas vezes por mês. O compadre Neno já tinha seus 70 anos e morava somente com a esposa em uma casa grande que antes fora pequena para criar os seis filhos que se foram para a cidade onde a vida passa ligeiro. Segundo Neno, a internet e a faculdade levaram as suas eternas crianças.
A esposa do Compadre Neno, a Comadre Adelina é uma mulher forte e que adora a limpeza. O casarão da comadre Adelina era brilhante e o terreno em sua volta lembra um piso de porcelanato apesar de ser de terra.

O que mais chama a atenção no casarão é o piso de madeira, lustroso e com um brilho de ver "carçola de moça" como falava o Compadre Neno. Devido a mania de limpeza da comadre a coisa que ela mais odiava era as visitas do Avelino cusparda que espalhava o seu apelido pelo assoalho todo.

Certo dia em uma dessas visitas criticada pela comadre Adelina -Lá vem o cuspão! - disse ela ao seu marido -Mas hoje ele me paga!- Correu para a cozinha e pegou uma panela, sentou-se ao lado do marido que convidava o Avelino cusparada para se sentar e começar a conversa que como sempre se estendia pela tarde toda.

Não demorou para o Compadre Avelino tirar um naco do seu fumo e começar a mastigar, sem muita cerimônia pela simplicidade, veio o primeiro cuspe no assoalho da irritada comadre. Ela educadamente e sem disser uma só palavra se levantou e colocou a panela no local exato do primeiro tiro.

O Avelino percebeu o movimento da comadre e soltou o segundo do outro lado, longe da panela da comadre que novamente sem disser nada, se levantou e colocou a panela no local onde o piso fora covardemente atingido pelo cusparada.
Assim se foi durante mais ou menos uma hora. A comadre colocava a panela onde caia o cuspe e o Avelino no seguinte desviava o tiro para o outro lado. Panela aqui e cuspe lá se indo até que o Avelino cusparada irritado com aquela cena toda resolveu intervir.

-Compadre Neno, não me leve a mal, gosto muito de visitar vocês e isso é de anos, mas preciso disser uma coisa deselegante para a comadre se o compadre me permitir claro.

-Pois diga lá Compadre -solicitou Neno.

-Comadre Adelina, com todo respeito, ou a senhora tira essa panela do chão ou eu vou acabar cuspindo dentro!

Cláudio Albano